Resumo do 1º Semestre 2026
O que aconteceu, o que mudou e o que preparar para o 2º semestre — tudo que o pequeno empresário precisa saber.
O 1º semestre de 2026 teve dois "Brasis": o dos números macroeconômicos — PIB crescendo, emprego em alta, bolsa batendo recordes em abril — e o do empresário de rua — crédito caro, cliente inadimplente, nota fiscal mudando e imposto digital chegando. Este Radar reúne o que aconteceu mês a mês e o que isso significa para o seu negócio no 2º semestre.
Janeiro — O ano começa com juros no teto
O Brasil entrou em 2026 com Selic a 15% ao ano — o maior nível em quase 20 anos. Em 1º de janeiro, as empresas passaram a destacar CBS e IBS nas notas fiscais: início oficial da Reforma Tributária. Empresas do Simples foram dispensadas por enquanto.
O empresário entrou no ano com custo de crédito máximo e um novo sistema tributário aparecendo na nota fiscal.
Fevereiro — A guerra que mudou tudo
Em 28 de fevereiro, EUA e Israel atacaram o Irã. O Estreito de Ormuz fechou — responsável por 20% do petróleo mundial, 15% dos grãos e 25% dos fertilizantes globais. O petróleo subiu 14% em dias. O frete e os insumos subiram junto.
Um conflito do outro lado do mundo chegou no bolso do empresário via combustível e custo operacional mais caro.
Março — BC corta juros, inadimplência não espera
O Copom reduziu a Selic para 14,75%. A inadimplência empresarial chegou a 8,9 milhões de CNPJs — próxima ao recorde histórico. Dívidas totais: R$ 212,8 bilhões. Média de 7 contas negativadas por empresa.
Juro começou a cair, mas a inadimplência não esperou: continuou subindo.
Abril — Bolsa bate recorde. Mas nem todo mundo aproveitou.
O Ibovespa tocou 198 mil pontos — recorde histórico. Dólar caiu abaixo de R$ 5,00 pela primeira vez desde 2024. Entrada de R$ 65 bilhões em capital estrangeiro. Ao mesmo tempo: IPCA projetado a 4,86% — acima do teto da meta. Inadimplência empresarial bateu recorde histórico com R$ 213 bilhões em dívidas.
O mês mais esquizofrênico do semestre: bolsa nas alturas e base da economia sangrando.
Maio — PIB surpreende, inflação não cede
PIB cresceu 1,1% no 1º trimestre — 6º maior crescimento entre 51 países. Brasil à frente de EUA, Alemanha e Japão. O Ministério da Fazenda manteve projeção de 2,3% para 2026. Mas o IPCA de maio ultrapassou o teto da meta pressionado por alimentos e habitação.
O Brasil cresceu. Mas o crescimento não chegou igual para todo mundo.
Junho — Bolsa cai 8 semanas seguidas. Acordo à vista.
O Ibovespa acumulou a maior sequência de quedas desde 1982. Selic cortada para 14,25% — tom ainda cauteloso. Acordo EUA-Irã previsto para 19/06 na Suíça derrubou o petróleo abaixo de US$ 80. Brasil caiu 7 posições no ranking global de competitividade — 65º entre 70 países.
Os 6 temas que definiram o semestre
- Juros — Selic caiu de 15% para 14,25%. Direção certa, ritmo lento.
- Guerra — Estreito de Ormuz fechado meses. Maior choque de energia em décadas.
- Reforma Tributária — CBS e IBS nas notas. Em agosto, campos obrigatórios. Em 2027, cobrança real da CBS começa.
- Inadimplência — 8,9 mi de empresas negativadas. 94% são micro e pequenas.
- Fisco digital — Pix cruzado com IR. Split payment chegando em 2027.
- Banco Master — Escândalo de R$ 17 bi. Bancos ficaram mais rigorosos.
O que o 2º semestre pede de você
- Revisar preço — inflação ainda não cedeu.
- Organizar nota fiscal — CBS/IBS obrigatórios em agosto.
- Negociar dívidas agora — crédito mais restrito à frente.
- Separar PF e PJ — fisco digital sem volta.
- Construir reserva — split payment acaba com o float em 2027.
- Acompanhar eleições — vão mexer com juros e câmbio no 2º semestre.
“O 1º semestre premiou quem estava organizado. O 2º semestre vai cobrar quem não estava. Quem estiver com caixa estruturado, preço revisado e nota fiscal em ordem vai sair na frente. O mercado sempre premia primeiro quem já estava preparado.”
Próximo passo
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