Radar TCV — Semana de 08 de junho de 2026
Dólar em alta, Copom em decisão, tarifa dos EUA, Receita de olho em PIS/Cofins e a Copa começando: o que o pequeno empresário precisa fazer esta semana.
O cenário da semana passada foi de pressão em várias frentes ao mesmo tempo — câmbio, petróleo, juros, comércio exterior e fiscalização. Esta edição do Radar TCV reúne o que aconteceu, o que muda esta semana e o que isso significa, na prática, para o seu negócio.
Dólar e Bolsa
O Ibovespa caiu quase 2% na semana. O dólar voltou a subir e superou R$ 5,06. O motivo principal: o agravamento do conflito entre EUA e Irã, que pressionou o petróleo e azedou o humor dos investidores no mundo todo. Nada que mude sua operação hoje, mas fique atento ao custo de produtos importados nas próximas semanas.
Petróleo
O barril do Brent fechou a US$ 97,81, em alta. Qualquer negócio que depende de frete, transporte ou logística já está sentindo o impacto. Revise se o seu preço de venda ainda cobre esse custo — margens apertadas somem rápido quando o combustível sobe.
Juros — Copom decide esta semana
A Selic está em 14,75% ao ano. O Copom se reúne nos dias 16 e 17 de junho e deve fazer um corte de 0,25 ponto. Atenção: o mercado já sinaliza que esse será o último corte do ano. Crédito vai continuar caro por muito tempo. Não é hora de se endividar para cobrir despesa corrente.
Tarifas dos EUA
Trump propôs uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. A decisão final sai em 15 de julho. Quem importa insumos ou compra de fornecedores que importam precisa ficar de olho — o custo de reposição pode subir e contratos longos sem cláusula de reajuste viram prejuízo.
Receita Federal de olho em PIS e Cofins
A Receita identificou R$ 44 bilhões em divergências de PIS e Cofins em 12 mil empresas. Se a sua empresa tem créditos tributários registrados, fale com seu contador agora. Quem regulariza antes de ser notificado tem muito menos problema — e custo muito menor.
“Cenário pressionado por fora e por dentro. Quem cuida do caixa, passa. Quem ignora, paga.”
Alerta especial — Copa do Mundo 2026
A Copa começa na quarta-feira, 11 de junho. Todo mundo fala em aproveitar o movimento da Copa para vender mais. Mas tem um detalhe que esta edição tem que as outras não tinham — e que muda tudo para o pequeno empresário: os jogos do Brasil são fora do horário comercial.
- 13/jun (sábado) — Brasil x Marrocos, às 19h.
- 19/jun (sexta) — Brasil x Haiti, às 21h30.
- 24/jun (quarta) — Escócia x Brasil, às 19h.
Quando o Brasil joga de dia, o país para: funcionário desatento, cliente sumido, produção travada. Você perde nos dois lados. Nesta Copa, isso não acontece. O dia de trabalho é normal. Você produz, atende, vende — e ainda aproveita o engajamento do jogo à noite para divulgar a sua marca.
O que fazer
- Crie uma promoção temática antes dos jogos do Brasil.
- Poste nas redes antes das partidas — o engajamento é alto.
- Prepare estoque para os dias de jogo: supermercados, delivery e conveniência disparam.
- Use a Copa para aparecer — sem precisar parar um dia sequer de trabalho.
A CNC projeta R$ 4,32 bilhões injetados no varejo ao longo do torneio. Supermercados e delivery concentram a maior parte. Se o seu negócio tem alguma relação com alimentação, bebida ou lazer, essa semana já começa a janela.
Mini artigo — Nunca retire 100% do lucro
Existe um erro silencioso que quebra negócio e quase nenhum pequeno empresário fala sobre ele. Não é falta de venda. Não é imposto alto. Não é custo de funcionário. É retirar tudo que entra.
O lucro do negócio é a sua renda como empresário. Isso é legítimo e necessário. Mas existe uma linha que separa quem cresce de quem fica parado — ou quebra. Essa linha é simples: nunca retire 100% do lucro.
Por que isso destrói negócios
O empresário que retira tudo vive bem no mês bom. Mas quando vem um mês fraco, um cliente importante cancela, uma máquina quebra ou os impostos chegam juntos, não tem de onde tirar. O caixa zera. O empresário corre para o banco. Pega crédito caro. A dívida corrói a margem. O ciclo piora. E o pior: isso acontece em negócios que faturam bem. Não é problema de tamanho — é problema de hábito.
A regra dos 20% a 30%
Todo mês, ao apurar o lucro líquido do negócio, retire entre 70% e 80% como sua remuneração de acionista e deixe 20% a 30% dentro do negócio, em uma conta separada e intocável.
Exemplo prático: lucro líquido de R$ 5.000 no mês. Pró-labore (75%): R$ 3.750. Reserva do negócio (25%): R$ 1.250. Em 6 meses, R$ 7.500 guardados. Em 12 meses, R$ 15.000. Com R$ 15.000 em reserva, o negócio aguenta cerca de 3 meses de crise sem precisar de banco.
Para que serve essa reserva
- Crise: mês fraco, perda de cliente, custo inesperado — você paga as contas sem entrar em pânico.
- Oportunidade: fornecedor com preço especial, equipamento em promoção, contratação rápida — você age enquanto o concorrente não tem dinheiro.
- Crédito: empresa com reserva consegue juros menores. Banco empresta melhor para quem não precisa.
- Decisão: você para de decidir no desespero e começa a decidir com a cabeça.
Três regras para começar hoje
- Abra uma conta separada exclusiva para a reserva do negócio — não misture com o movimento diário.
- Transfira os 20% a 30% no primeiro dia útil após fechar o mês, antes de qualquer outra retirada.
- Nunca use a reserva para despesa corrente — ela existe para crise e oportunidade, não para cobrir gasto do dia a dia.
Não precisa começar com 30%. Se o momento está apertado, comece com 10%. O que importa é criar o hábito. Negócio que reserva sempre, sobrevive sempre — e quando a oportunidade chega, aproveita.
“Quem estiver organizado passa. Quem não estiver, paga a conta.”
Próximo passo
Quer aplicar isso na sua empresa?
Marque um diagnóstico gratuito com nosso time. Em 30 minutos a gente entende seu cenário e mostra os caminhos possíveis — sem compromisso.
Falar com a TCV