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Mudanças no MEI: uma oportunidade para crescer, sair da informalidade e reduzir riscos

Limite maior e até dois funcionários: veja, de forma simples, o que as mudanças no MEI podem significar para quem empreende e para quem contrata prestadores.

Equipe TCV 22 de outubro de 2026 6 min de leitura

As mudanças previstas para o MEI vão além de um limite maior de faturamento ou de poder contratar mais gente. Elas são um bom motivo para organizar o negócio, regularizar o que ainda está informal e cuidar melhor da gestão.

💡 Hora de olhar para o próprio negócio

O formato atual da sua empresa ainda faz sentido? Ou chegou a hora de dar o próximo passo?

Mais espaço para crescer

O projeto que muda o MEI (PLP 186/2026) foi aprovado pela Câmara em 14/10/2026, por 461 votos a 4, e pelo Senado em 15/10/2026, por 78 a 0. Agora falta só a sanção do presidente.

Limite de faturamento: hoje x novo

R$ 81 mil

Por ano, hoje (desde 2016) — cerca de R$ 6.750 por mês

R$ 110 mil

Por ano, a partir de 2027 — cerca de R$ 9.166 por mês (+36%)

R$ 140 mil

Por ano, a partir de 2028 — cerca de R$ 11.666 por mês (+73% sobre hoje)

Quem abrir o MEI no meio do ano segue o limite proporcional: R$ 9.166,67 por mês em 2027 e R$ 11.666,67 por mês em 2028.

Quando cada mudança começa a valer

  • Até o fim de 2026: continua o limite de R$ 81 mil e 1 funcionário.
  • 2027: limite sobe para R$ 110 mil por ano.
  • 2028: limite chega a R$ 140 mil por ano.
  • Funcionários: até 2 para quem atua em indústria, comércio e serviços rurais. Nos demais setores, continua 1. Passa a valer quando a lei for sancionada e regulamentada.

E as dívidas do MEI?

O projeto também perdoa as dívidas do MEI com a União inscritas até 13/10/2026 — valor principal, juros e multas. São cerca de 3,6 milhões de MEIs e R$ 12,6 bilhões em débitos. A condição: pagar em dia o DAS dos 6 meses seguintes à entrada em vigor da lei e desistir de ações na Justiça sobre essas dívidas.

📊 Na prática

Um MEI que fatura R$ 9.000 por mês (R$ 108 mil por ano) hoje já está fora do limite e precisaria virar ME. Em 2027, cabe no MEI. Em 2028, poderá faturar até R$ 11.666 por mês.

Isso ajuda quem já tem bons clientes, mas não consegue crescer sem estourar o limite atual do MEI.

Exemplo: um prestador de serviços com muita procura pode contratar ajuda, atender mais gente e faturar mais — com organização.

“Crescer é importante. Crescer com organização é o que mantém o negócio de pé.”

Uma chance de sair da informalidade

Muita gente trabalha todo mês, recebe por Pix ou em dinheiro, mas não tem CNPJ, não emite nota e não separa as contas.

Formalizar ajuda a:

  • Conquistar clientes maiores, que exigem nota fiscal;
  • Comprovar quanto você ganha;
  • Conseguir crédito com mais facilidade;
  • Ter acesso a mais serviços bancários.

Para quem contrata esses profissionais, também é a hora de pedir os documentos certos e guardar o registro de cada serviço.

A informalidade parece mais simples no começo. Mas, quando o negócio cresce, vira dor de cabeça com impostos, banco e até com a Justiça.

Serviços pontuais também pedem cuidado

É comum chamar alguém para uma instalação, um conserto, um trabalho de marketing ou uma ajuda no escritório — e pagar sem contrato e sem nota.

O risco aparece quando, no dia a dia, essa relação parece um emprego. A Justiça do Trabalho costuma olhar quatro pontos:

Sinais de que pode ser vínculo de emprego

  • É sempre a mesma pessoa que faz o trabalho (não pode mandar outra no lugar);
  • Ela recebe um valor pelo trabalho;
  • O serviço acontece com frequência, não só de vez em quando;
  • Ela cumpre ordens, horários e regras da empresa.

Ter CNPJ ou ser um serviço “pontual” não elimina o risco. O que vale é como o trabalho acontece na prática.

Às vezes o certo é contratar um prestador formalizado, com contrato, tarefa definida e nota fiscal. Em outros casos, o correto é registrar como funcionário. A ideia não é criar burocracia — é contratar do jeito certo para cada situação.

Pagar menos imposto começa com organização

Com contratos, notas fiscais e despesas bem registradas, a empresa enxerga melhor seus custos e encontra formas legais de economizar.

⚠️ Atenção

Contratar um MEI não gera economia de imposto automaticamente. Depende do regime da sua empresa, do tipo de serviço e dos documentos. Avalie cada caso com seu contador.

O que fazer agora

Mesmo antes das novas regras valerem, você já pode começar:

5 passos práticos

  • Confira seu faturamento: veja se o enquadramento atual ainda serve para você.
  • Liste o que está informal: serviços, receitas e contratações sem documento.
  • Organize as contratações: quem é prestador e quem, na prática, é funcionário.
  • Revise custos e impostos: o seu regime ainda é o mais vantajoso?
  • Planeje antes de crescer: simule o impacto antes de contratar, investir ou mudar de enquadramento.

A oportunidade vai além do MEI

Para o pequeno empreendedor: formalizar, atender mais e crescer com base sólida.

Para quem contrata: organizar a relação com fornecedores e profissionais, reduzir riscos e economizar com responsabilidade.

“A melhor hora para organizar o negócio é antes que a informalidade ou uma contratação mal feita vire problema.”

Formalizar não é só obrigação. Bem planejado, protege o negócio, melhora a gestão e abre portas. A TCV pode analisar o seu caso e mostrar o caminho mais seguro.

📌 Nota

O projeto (PLP 186/2026) foi aprovado pela Câmara em 14/10/2026 e pelo Senado em 15/10/2026 e aguarda sanção presidencial. Depois disso ainda pode haver regulamentação. Antes de decidir com base nos novos limites, confirme quais regras já estão valendo.

Próximo passo

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